Analises Clinicas

BRUCELOSE IgM, ANTICORPOS


Sobre o Exame

A brucelose humana é uma doença de distribuição global, causada por cocobacilos gram-negativos intracelulares facultativos do gênero Brucella sp.

A transmissão da brucelose para humanos ocorre predominantemente por meio do contato direto ou indireto com animais infectados (cabras, ovelhas, gado, porcos e cães) e seus produtos contaminados, principalmente leite cru, manteiga, sorvetes, cremes e queijo não pasteurizado. 

As espécies de Brucella podem sobreviver por longos períodos na lama, produtos do parto (como fetos abortados e placentas), carcaças de animais, esterco, poeira, água, solo, entre outras. Desta forma, a inalação de aerossóis contaminados com bactérias de Brucella sp. em suspensão em ambientes de criação intensiva de animais é tida como importante via de contaminação.

Clinicamente, a brucelose se manifesta como uma doença de curso as vezes agudo, mas muitas vezes insidioso tendendo a evolução crônica, com padrão variável de febre, e sintomas inespecíficos como mal-estar, sudorese, mialgia, entre outros. Sintomas adicionais incluem perda de peso, artralgia, cefaleia, dor lombar, fadiga, anorexia, tosse e alterações emocionais com padrão depressivo. Se não tratada, a doença pode cursar com quadros prolongados (forma localizada/crônica) com duração de meses e até anos para os quais os achados físicos são variáveis e inespecíficos com acometimento osteoarticular, geniturinário, neurológico e cardiovascular.

O padrão-ouro de diagnóstico é a detecção de Brucella sp. em meio de cultivo a partir de diferentes espécimes clínicos, entretanto, a dificuldade de isolamento em cultivo e o risco de infecção envolvido nessa manipulação exigem o uso de estratégias alternativas para a confirmação diagnóstica. Dessa forma, métodos imunológicos e moleculares, são os mais utilizados para diagnóstico da brucelose.

De acordo com o Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas- Brucelose Humana do Ministério da Saúde (2025), a investigação laboratorial de brucelose deve ser realizada para pacientes sintomáticos com suspeita da doença com a realização simultânea de sorologia por duas técnicas diferentes (soroaglutinação e Elisa IgG). A detecção isolada de IgM pelo ELISA não deve ser considerada um critério de confirmação da doença ou um marcador da fase aguda da infecção, devido ao alto percentual de reações inespecíficas (falso-positivas) que podem persistir por longos períodos.

São considerados casos prováveis de brucelose humana aqueles que apresentam vínculo epidemiológico, associados a manifestações clínicas compatíveis e resultados positivos combinados de testes laboratoriais imunológicos incluindo soroaglutinação E ensaio imunoenzimático (ELISA), ou molecular (PCR).

Casos suspeitos sintomáticos por infecção ou exposição acidental à vacina RB51 ou B. canis devem seguir a investigação diagnóstica por exame de cultura, visto que não há produção de anticorpos tituláveis para os agentes investigados pelos métodos sorológicos disponíveis.

Referência: Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas nº 985 - Brucelose Humana- Ministério da Saúde. 2025.

Orientações de Preparo

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